terça-feira, 15 de março de 2011

OS AGRUPAMENTOS SOCIAIS


  (Texto adaptado de Pérsio Santos, 2º ano de Sociologia)


1. Grupo social. Para a sociologia, grupo social é toda reunião mais ou menos estável de duas ou mais pessoas associadas pela interação. Devido à interação social, os grupos têm de manter alguma forma de organização, no sentido de realizar ações conjuntas de interesse comum a todos os seus membros.
Os grupos sociais apresentam normas, hábitos e costumes próprios, divisão de funções e posições sociais definidas.
1.1. Principais grupos sociais: ao longo da vida, as pessoas participam geralmente de vários grupos sociais. Eis alguns deles: grupo familiar – representado pela família; grupo vicinal – formado pelos vizinhos; grupo educativo – desenvolvido na escola; grupo religioso – representado pelas instituições religiosas; grupo de lazer – formado por clubes, associações esportivas, grupo de teatro etc; grupo profissional – constituído por profissionais que trabalham em empresas, escritórios, lojas etc; grupo político – formado pelos militantes de um partido político, por integrante de organismos do Estado etc.
1.2. Principais características dos grupos sociais:
a) Pluralidade de indivíduos: grupo dá a idéia de grupo coletivo;
b) Interação social: é preciso que os indivíduos interajam uns com os outros;
c) Organização: todo grupo precisa de uma certa ordem interna;
d) Objetividade e exterioridade: os grupos são superiores e exteriores ao indivíduo e podem existir mesmo que ela saia do grupo;
e) Conteúdo intencional ou objetivo comum: os membros unem-se em torno de certos princípios e valores para atingir objetivos que são comuns;
f) Consciência grupal ou sentimento de “nós”: maneiras de pensar, sentir e agir próprias do grupo. Também a presença de sentimento forte de pertença;
g) Continuidade: interações passageiras não formam e nem consolidam uma união grupal.
1.3. Tipos de grupos sociais. Os grupos sociais podem ser classificados em: a) grupos primários: aqueles em que predominam os contatos primários, pessoais, diretos: ex: família, vizinhos, amigos... b) grupos secundários: aqueles mais complexos nos quais predominam os contatos mais formais sem intimidade e espontaneidade. Ex: igrejas, partidos políticos. c) grupos intermediários: aqueles nos quais se alternam e se complementam as formas de contatos primários e secundários: ex: a escola.
2. Agregados sociais. É a reunião de pessoas com faço sentimento grupo e frouxamente aglomeradas. Mesmo assim, conseguem manter entre si um mínimo de comunicação e de relações sociais. São características de um agregado social: falta de organização; ausência de hierarquia de posições e funções; anonimatos (as pessoas não se conhecem); O contato é limitado e de pequena duração.
2.1. Tipos de agregados sociais: os principais tipos de agregados sociais são: a) Multidão: a multidão tem como característica a falta de organização, pois apesar de contar, eventualmente, com um líder, a multidão não conta com um conjunto próprio de normas; seus membros não ocupam posições definidas no agregado; anonimato (nome, profissão e posição social desconhecida); objetivos comuns (interesses, emoções e atos são coletivos); indiferenciação (não espaço para a manifestação de diferenças individuais significativas); proximidade física (exige proximidade física e contato direto, porém temporário).
A multidão pode ser pacífica ou violenta (turba).
b) Público: é um agrupamento de pessoas que seguem os mesmos estímulos. É espontâneo, amorfo, não se baseia no contato físico, mas na comunicação recebida através de diversos meios de comunicação. Todos os indivíduos que compõem o público recebem o mesmo estímulo. Não se trata de uma multidão porque a integração dos indivíduos que formam o público é geralmente intencional. Na multidão é ocasional. Os modos de pensar, agir e sentir do público compõe a opinião pública. O público é um tipo intermediário entre a multidão e os grupos sociais, porque no público há um tipo primário de organização: as pessoas seguem certos regulamentos.
c) Massa: é formada por indivíduos que recebem, de maneira mais ou menos passiva, opiniões formadas, que são veiculadas pelos meios de comunicação de massa. A massa consiste num agrupamento relativamente grande de pessoas separadas e desconhecidas umas das outras. Como não obedece a normas, o processo de formação da massa é espontâneo.
Existe uma certa semelhança entre público e massa, pois também os componentes do público estão unidos por um estímulo. Mas há uma diferença importante: ao contrário da massa, o público não tem uma atitude passiva diante da mensagem que recebe: ele opina, por meio de palmas, crítica e discussões. Isso geralmente não acontece com a massa.
3. Mecanismo de sustentação dos grupos sociais.
As principais forças que mantêm o grupo coeso são: liderança, normas e sanções sociais, símbolos, e valores sociais.
3.1. Liderança: capacidade de alguém ou de algumas pessoas, de chefiar, comandar ou orientar um grupo de indivíduos em qualquer tipo de ação. O líder é aquele que dirige o grupo, transmitindo idéias e valores aos outros membros. Há dois tios de liderança: a) liderança institucional – deriva da autoridade que uma pessoa tem em virtude de sua posição social ou do cargo que ocupa; b) liderança pessoal – é aquela que se origina das qualidades pessoais do líder (inteligência, prestígio social e moral, poder de comunicação, atitudes, encanto pessoal etc.).
Entre os chefes que exercem a liderança pessoal podem surgir líderes carismáticos, pessoas dotadas de um encanto pessoal tão forte que os torna, aos olhos de seu público, iluminados, proféticos, ou mesmo sobrenaturais.
Como peça importante de sustentação do grupo, o líder desempenha um papel integrador entre seus membros, transmitindo-lhes idéias, normas e valores sociais, ao mesmo tempo em que representa os interesses e os valores do grupo.
3.2. Normas e sanções sociais: toda sociedade e todo grupo social conta com uma série de regras de conduta que lhe dão coesão, orientam e controlam o comportamento das pessoas. Essas regras de ação são chamadas sociais. Elas indicam o que é permitido e o que é proibido. A toda norma social corresponde uma sanção social. A sanção social é uma recompensa ou uma punição que o grupo ou a sociedade atribuem ao individuo diante de seu comportamento social. As sanções podem-se: a) Aprovativas – quando são aplicadas sob a forma de aceitação. É o reconhecimento do grupo quando o individuo cumpre o que se esperava dele; b) Reprovativas – uma punição imposta ao individuo, pelo grupo, por ele ter desobedecido ou violado alguma norma social.
3.3. Símbolos: algo que representa ou substitui outra coisa, geralmente mais complexa e abstrata. É algo cujo valor ou significado é atribuído pelas pessoas que o utilizam. Os símbolos são convenções criadas pelo grupo social. A linguagem é a mais importante forma de expressão simbólica. Sem a linguagem não haveria organização social humana, em nenhuma de suas manifestações: política, econômica, religiosa, cultural etc.
3.4. Valores sociais. A sociedade estipula o que é desejável e o que é proibido, o que é bonito e o que é feio, o que é certo, o que é errado. Na vida em sociedade, as idéias, as opiniões, os fatos, os objetos não são avaliados isoladamente, mas dentro de um contexto social que lhes atribui um significado, um valor e uma qualidade determinados. Quanto maior a variedade de opiniões, de princípios, de valores sociais, muitas vezes conflitantes.
4. Sociologia da Juventude
O conceito de juventude refere-se a uma faixa etária que vai de 14 aos 19 anos. Período em que o jovem completa o seu desenvolvimento físico e passa por mudanças biológicas, psicológicas e sociais.
Há, atualmente, no país, uma oferta insuficiente de postos de trabalho e uma enorme competição pelas poucas vagas existentes. Os dois fenômenos somados – escassez de emprego e aumento no número de jovens – criam uma situação socialmente explosiva.
A intensificação da economia globalizada na última década reduziu drasticamente as oportunidades de trabalho para os jovens. Os jovens e idosos poderão ser os primeiros excluídos das novas sociedades societárias que ainda estão se formando. De acordo com alguns economistas, uma parcela da juventude poderá passar até a vida inteira sem obter trabalho. Agora, os jovens se revoltam contra outros grupos sociais e até contra toda a sociedade, contra um sistema que os marginaliza.
Não se trata, desta vez, da utopia dos jovens rebeldes dos anos 1960, que queriam construir um novo mundo, reformar a sociedade, mas de jovens que desejam participar dela, serem nela incluídos. Tudo isso gera respostas agressivas. Os mais pobres sentem-se cada vez mais atraídos pela marginalidade, ingressando no crime organizado ou em gangues extremamente violentas. Os jovens de classe média, cujo padrão de vida esteja se reduzindo, tenderão a adotar atitudes ostensivas de contestação, podendo participar tanto de grupos neofascistas e racistas como de movimentos anarquistas, que desejam destruir a sociedade, acabar, simplesmente com qualquer forma de vida organizada. Outra parte desses jovens não deseja contestar, mas criar formas de comunicação que sejam exclusivamente de seu grupo.
É nesse contexto que a juventude surge como tema da Sociologia. Não se trata mais de um jovem que está em permanente conflito de gerações, mas de um jovem que tem dificuldade de se integrar à sociedade globalizada, que está se tornando mais violento por se sentir socialmente excluído e que participa de grupos tribais, como os punks, para não se sentir solitário.
5. Sistema de status e papeis sociais.
Todo indivíduo ocupa na sociedade em que vive posições sociais que lhe dão maior ou menor valor, prestígio social e poder.
5.1. Status social: é a posição ocupada pelo individuo no grupo social ou na sociedade.
O status social implica direitos, deveres, manifestações de prestígio e até privilégios, conforme o valor social conferido a cada posição. Numa sociedade, o indivíduo ocupa tantos status quanto são os grupos sociais a que ele pertence.
Dependendo da maneira pela qual o individuo obtém seu status, este pode ser classificado em: a) status atribuído – não é escolhido voluntariamente pelo individuo e não depende de suas ações ou qualidades. Os principais fatores atribuidores de status são: idade, sexo, raça, laços de parentesco, classe social etc.; b) status adquirido – obtido em função das qualidades pessoais do individuo, de sua capacidade e habilidade. O status que uma pessoa obtém ao longo da vida como resultado de competição e trabalho é exemplo de status adquirido, pois depende de suas habilidades e capacidades.
5.2. Papeis sociais: são os comportamentos que o grupo social espera de qualquer pessoa que ocupa determinado status social. Corresponde mais precisamente às tarefas, às obrigações inerentes ao status. Caso não aja assim, não estará cumprindo o papel que seu status determina e será, portanto, questionado pela sociedade.
Status e papel social são coisas inseparáveis e só os distinguimos para fins de estudo. Não há status que não corresponda a um papel social e vice-versa. Todas as pessoas sabem o que esperar ou exigir do individuo, de acordo com o status que ele ocupa no grupo social ou na sociedade. E a sociedade sempre encontra meios para punir os indivíduos que não cumprem seu papel.
6. Estrutura e organização social
Estrutura social é o conjunto ordenado de partes encadeadas que formam um todo. Dito de outro modo, a estrutura social é a totalidade dos status existentes num determinado grupo social ou numa sociedade. Cada participante de uma estrutura desempenha o papel correspondente à posição social que ocupa (status). O conjunto de todas as ações realizadas quando os membros de um grupo desempenham seus papeis sociais compõe a organização social. Assim, enquanto a estrutura social dá a idéia de algo estático, que simplesmente existe, a organização social dá idéia de algo dinâmico, em permanente movimento.
A estrutura social se refere a uma totalidade composta de partes, enquanto a organização social se refere às relações que se estabelece entre essas partes. Quando mais complexa a sociedade, maiores e mais complexas sua estrutura e sua organização.

5 comentários:

  1. Não está falando das características do grupos sociais.
    Que colocar as características dos grupos sociais?

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  2. Caro leitor, o texto apresenta, logo depois de elencar os principais grupos sociais(1.1), as principais características dos grupos sociais(1.2). Por favor, dê uma conferida e se, por acaso, não for o que procura, poste um novo comentário e tentarei ajudá-lo na sua busca.
    Agradeço o seu comentário.

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  3. to precisando de um trb sobre a diferenca de cada um dos tipos de agrupamento sociais.

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  4. Você não conhece grupos filosóficos de verdade? ex: grupos que buscam a felicidade com uma coisa concreta.

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    1. Caro colega,
      a existência desses grupos são, via de regras, iniciativas de pequenos grupos, sob a orientação de alguém que seja da área. No Brasil, um grupo que tem dedicado atenção a isso é o de Lucio Parker com a chamada Filosfia Clínica. Inclusive com cursos EAD. Mas existem muitas iniciativas localizadas de extair do conteúdo da Filosofia orientações para uma vida feliz, como base me Filósofos como Epicuro, Zenão de Citio, Epicteto, Sêneca etc...
      Eu e um grupo de alunos/adolescentes, por exemplo, realizamos encontros periódicos para ler e refletir sobre as obras do filósofo Santo Agostinho, que tinha como busca a Verdadeira Felicidade. Esse assunto é uma questão recorrente em muitos livros da sua extensa bibliografia.

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