terça-feira, 15 de março de 2011

O Início da Idade Moderna e Filosofia


 (Textos para o 2º ano de Filosofia do Ensino Médio)
Historicamente falando a Idade Moderna vai de meados Séc. XV a fins do Séc. XIII, porém quando nos referimos à questão filosófica os autores são inclinados a afirmar que a modernidade inicia-se com René Descartes. (1596-1650).
Para uma melhor compreensão abordaremos alguns aspectos sociais importantes dessa época.
A saída de uma época para outra, não se dá do dia para a noite, mas por um processo de transição ocasionado por transformações sociais motivadas por mudanças importantes na mentalidade das pessoas. As principais transposições foram:
Passagem do Feudalismo para o Capitalismo – Que se vinculou ao florescimento do comércio, o estabelecimento das grandes rotas comerciais, o predomínio do capital comercial e a ascensão da burguesia.
A Formação dos Estados Nacionais – Que possibilitou o surgimento de novas concepções políticas e econômicas, como a discussão sobre as formas de poder político (Aqui tivemos o surgimento do absolutismo), permitindo o fortalecimento do estado.
Reforma protestante – Ocasionou uma cisão na unidade religiosa européia, e rompeu com a concepção passiva do homem, entregue unicamente os desígnios divinos. Houve aqui o reconhecimento do trabalho como fonte da graça divina e origem legítima da riqueza e da felicidade (Não era pra menos, já que ele foi apoiado pela burguesia). Além do mais concebeu a razão humana como extensão do poder divino, dando autonomia ao homem em relação a seus atos, negando desta forma a concepção agostiniana de submissão à vontade de Deus.
O desenvolvimento da Ciência Natural – Que permitiu o surgimento de novos métodos de investigação científica, alcançados pela confiança na razão humana e pelo questionamento da submissão desta aos dogmas da Igreja. A Igreja, que durante mil anos foi absoluta e inquestionável perde a partir de então parte de seu poder de influência sobre os Estados e da dominação sobre o pensamento.
A Invenção da Imprensa – Que possibilita a impressão dos textos clássicos gregos e romanos, contribuindo para a formação do humanismo. A divulgação de obras científicas, filosóficas e artísticas, que passaram a ser acessíveis a uma parcela maior da sociedade. Assim as pessoas passaram a ter um maior grau de consciência e mais liberdade de expressão. (Cotrim, 2006:126). Tudo isso ocasionou uma grande transformação em muitas das regiões européias, permitindo às pessoas um novo olhar sobre o mundo. As várias áreas de conhecimentos como na filosofia, nas artes e na ciência surgiram novas idéias, concepções e valores. O teocentrismo característico de toda a Idade Média passou a dar lugar ao antropocentrismo, ou seja, tudo passa a ser visto e medido a partir do homem que passa a ser o centro de todas as coisas.

Renascimento
Todas essas transformações socioculturais que marcaram a Europa entre os séculos XIV e XVI se deram dentro de um movimento cultural que teve início na península itálica, caracterizado pelo individualismo, pela exaltação da vida mundana, pelo moderado sensualismo, pela mundanização da religião, pelo naturalismo filosófico e pelo extraordinário gosto artístico.
Segundo Burckhardt “a renascença seria, portanto uma época que viu surgiu nova cultura, oposta à medieval. E a revivência do mundo antigo teria desempenhado um papel importante.”
Foi a partir do renascimento que o termo Idade das Trevas foi cunhado, para se opor ao momento vivido como Idade das Luzes. Essa afirmação segundo o historiador da filosofia Giovanni Realle não é verdadeira, pois:
“Os historiógrafos erraram, ao julgar que a Idade Média constituía verdadeiramente uma época de barbárie, um tempo nebuloso, um período de escuridão. (...) Os homens da Renascença, naturalmente, tinham essa opinião, mais por razões polêmicas e não objetivas: eles sentiam sua mensagem inovadora como mensagem de luz que rompe as trevas. O que não significa que verdadeiramente, ou seja, historicamente, antes dessa luz houvesse trevas, pois poderia haver (para manter a imagem) uma luz diferente.” (2003:11)
O Renascimento inspirou-se no humanismo, movimento de intelectuais que defendiam o estudo da cultura Greco-romana e o retorno a seus ideais de exaltação do homem e de seus atributos como a razão e a liberdade. Aqui não há uma negação total às questões Cristãs, mas uma divinização do humano e uma humanização do divino.
Grandes autores destacaram-se aqui com seus escritos como foi o caso de Shakespeare, Camões, Thomas More, Dante, Cervantes, Erasmo de Roterdã e outros.

Oposição à Nova Mentalidade
É notório que quem está no poder, não quer perdê-lo, quanto mais quando se trata de uma hegemonia de mais de mil anos. Forças ligadas ao passado combateram veementemente as transformações que se desenvolviam. Muitos pensadores foram duramente punidos, muitas obras foram queimadas ou proibidas de serem lidas. (índex)
Foi nesse contexto que muitos pioneiros da ciência moderna foram perseguidos pelo Tribunal de Santo Ofício ou Tribunal da Inquisição, órgão da Igreja Católica encarregada de descobrir e julgar os responsáveis pela propagação de doutrinas contrárias ao seu pensamento, muitos destes homens foram considerados hereges e conseqüentemente condenados à morte.
Podemos tomar como exemplo o julgamento de Giordano Bruno (1548-1600) que depois de várias tentativas de convencê-lo a retratar-se de algumas de suas teses acabou sendo condenado à fogueira. Giordano Bruno não negou suas idéias. Afirmando que o universo é um todo infinito cujo centro não está em parte alguma, Ele se baseou na teoria heliocêntrico de Nicolau Copérnico que se contrapunha ao pensamento da Igreja que defendia a Teoria Geocêntrica de Aristóteles e Ptolomeu.
 Já dá pra imaginar o tamanho do problema que tal teoria causou. Negar que a terra é o centro do universo e dizer que o habitat do homem, considerado pelo criacionismo a obra prima de Deus não é o centro do mundo. Ora em um universo infinito o que pode representar o Estado ou Igreja? Tal teoria não representou apenas a superação do pensamento de Aristóteles e Ptolomeu, mas uma ameaça á própria Sagrada Escritura.
Antes de Giordano Bruno, o Sacerdote Polonês Nicolau Copérnico (1473 – 1543) escreveu o livro “A Revolução das Esferas Celestes, em que propunha a teoria heliocêntrica defendendo que o sol e não a Terra era o centro do sistema planetário e que a terra é quem gira em torno do sol contrariando assim a Bíblia que em Josué 10,13 diz: “Josué ordenou que o sol parasse”.
Copérnico morreu no mesmo ano em que seu livro foi publicado e dois anos antes da reativação da Inquisição.
Nesse período o pensamento não se voltou apenas para a questão cientifica de cunho filosófico, mas também podemos constatar questões referentes à essência humana, à moral e à política. Aqui nós podemos dar destaque a Michael de Montaigne e Nicolau Maquiavel.

 
Razão e Experiência
Galileu Galilei (1564-1642) é considerado o Pai da física moderna. De origem italiana lecionou em Pisa e de Pádua foi responsável pela superação do Aristotelismo e pelo advento, como já dissemos, da nova concepção de Ciência.
Sua vida foi marcada por perseguições políticas e religiosas, por defender a teoria copernicana. Condenado pela Inquisição, diferentemente de Giordano Bruno, se retrata publicamente, sendo condenada a prisão domiciliar a partir de 1633.
Em 1609 Galileu teve notícias de que, na Holanda, fora inventado um instrumento ótico (luneta) que permitiria a observações de objetos longínquos. Sem nunca ter visto um Galileu sem poupar esforços nem despesa chegou a construir um instrumento tão excelente que as coisas vistas por meio dele aparecem quase mil vezes maior e mais de trinta mil vezes mais próximo. O que o permitiu sustentar que não há diferença de natureza entre a lua e a terra. Embora não sendo como a terra, lua se move, e sendo assim, por que não deveria mover-se também a terra, que precisamente, não é de natureza diferente da lua? Percebeu que os planetas recebem a luz do sol e que as estrelas são por si mesmas luminosas, não tendo necessidade da irradiação do solar.
Galileu ainda mantinha o hábito de analisar o sol, o que lhe permitiu perceber manchas solares, todavia, tal prática o levou à cegueira.

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