terça-feira, 27 de janeiro de 2015

TERRORISMO E PÂNICO SOCIAL NO OCIDENTE





Epitácio Rodrigues

Nos últimos anos uma sensação de pânico social está crescendo cada vez mais, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, graças aos acontecimentos envolvendo grupos radicais do Oriente Médio que se apresentam como seguidores do islamismo. Atentados à bomba, sequestros, execuções transmitidas pelos meios de comunicação e internet tornaram o termo terrorismo parte do nosso vocabulário cotidiano. Mas o que se deve entender por terrorismo? André Comte-Sponville, filósofo francês, no Dicionário Filosófico, o define como a utilização da violência para fins de natureza política contra um poder estabelecido que não se pode vencer nem por vias democráticas nem pela força militar. Os terroristas, segundo ele, são combatentes da sombra, na medida em que não estão presos às leis ou convenções da guerra, não hesitando, inclusive, em atacar civis ou inocentes, caso julguem necessário para atingir os seus objetivos.
Para Leonardo Boff, teólogo brasileiro, o terrorismo é uma violência espetacular praticada com o propósito de ocupar as mentes das pessoas de medo e pavor. Não se trata apenas da violência em si, mas do seu caráter espetacular, capaz de dominar as mentes de todos, ativando o imaginário social e internalizando o medo nas pessoas. Por isso, os atos terroristas, normalmente, possuem esse caráter espetacular, que evidencia a sagacidade de seus feitores e gera a estupefação social; são realizados por pessoas anônimas, promovendo assim uma desconfiança generalizada, um medo constante e uma distorção coletiva na percepção da realidade, que torna qualquer situação imprevista um ato de terror em potencial. Essas considerações nos ajudam a entender o clima de pânico reinante na Europa, n’alguns países do Oriente e na America do Norte.
De fato, o combate ao terrorismo tem desafiado as grandes potências europeias e americanas que, mesmo dispondo de sofisticado serviço de inteligência, não deixam de experimentar uma sensação de pânico e as razões, além das apresentadas por Boff, podem ser sintetizadas em três ou quatro desafios. O primeiro deles é que os integrantes desses movimentos não são mercenários, não fazem guerra ao inimigo por dinheiro, mas por ódio ao Ocidente e à ocidentalização do mundo. Seus membros são pessoas instruídas a desde muito cedo ver a civilização ocidental como inimiga de seus costumes e de sua divindade. Por isso, esse inimigo deve ser combatido. Os radicais, como a imprensa nos acostumou a chamá-los, não têm medo de morrer por essa causa. Fica a pergunta: como vencer um inimigo que não vacila frente à morte em nome de sua causa? O que fazer quando morrer em nome dessa causa é motivo de glória e estímulo aos demais?
Outra questão é que eles não possuem características que os diferenciem dos demais seguidores do islamismo. Podem passa-se por uma pessoa piedosamente seguidora dos preceitos de fé religiosa sem levantar maiores suspeitas. A resistência no tocante à política de imigração também tem muito de proteção contra esse inimigo sem fisionomia definida. Para deixar a situação ainda mais complexa, inúmeros jovens europeus e norte americanos estão aderindo a esses grupos radicais.
Porém, de todas as dificuldades, a mais desafiadora é que os grupos radicais funcionam, se comportam de maneira similar ao velho preceito da Hidra de Lerna: “corte uma cabeça e duas novas nascerão”.
Em suma, estamos presenciando uma “guerra” das grandes potências europeias e americanas contra o terror dos radicais islâmicos, marcada por medo, ódio e fanatismo. Nesse meio fica a sociedade civil em pânico por causa de um inimigo que é potencialmente imprevisível, na medida em que pode ser qualquer um e em qualquer esquina.

Referência bibliográfica:

BOFF, Leonardo. Fundamentalismo, terrorismo, religião e paz. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009;
COMTE-SPONVILLE, Andre. Dicionário Filosófico. 2ª ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.

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