quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Campanha contra Lula: por que não sair do ódio pessoal para a cidadania?

Epitácio Rodrigues

No ultimo dia 30/10/2011, o filósofo Ghiraldelli Jr. postou um texto intitulado Lula, doente, enfrenta alguns Caims, no qual se posiciona sobre a Campanha na internet “Lula, trate-se pelo SUS”. Muitos internautas discordaram de seu posicionamento a respeito do assunto. Pessoalmente, julgo a campanha a expressão de um comportamento motivado por razões de caráter mais emocional e ódio pessoal e de certo modo demagógica. Cito o exemplo do ex-vice presidente José de Alencar (que fique bem claro: não quero aqui defender que deviam ter feito tal campanha contra ele, pois o bom senso não me permite sugerir tal coisa), apenas para elucidar o fato dele não ter recebido um tratamento similar dos protagonistas da campanha, evidencia que se trata de uma mágoa pessoal destinada ao ex-presidente.
Não vou aqui discorrer sobre o paradoxo que foi a gestão do ex-presidente e sua oscilação entre o social e o liberal; as várias situações de escândalos e corrupção envolvendo gente do seu partido e da base aliada e seu “silêncio conveniente”, dentro de um sistema de democracia liberal que teve o seu governo. Apesar disso, não se pode negar que houve uma melhoria na vida de um número considerável de cidadãos das classes populares. Mas, abstraindo da total falta de bom senso que motiva esse movimento contra o Lula, ele coloca uma questão em evidência. Para os internautas/pessoas que defendem a campanha, o SUS aparece como um sinal de punição ao ex-presidente. Aqui duas coisas precisam ser consideradas: a primeira é que a saúde, que desde Marshall se insere dentro dos chamados direitos sociais, não recebe a atenção devida do poder público. Mas, a segunda questão, e com certeza a mais importante,  diz respeito à  responsabilidade dos brasileiros sobre o assunto. A campanha revela uma responsabilização unilateral e individual, alicerçada numa certa miopia na compreensão de cidadania, na medida em que se culpabiliza um ex-chefe de estado, mas cada pessoa fica na sua zona de conforto, omitindo-se de realizar por, exemplo, uma campanha de reivindicação ao poder público no que se refere ao cumprimento adequado dos direitos sociais dos brasileiros, inclusive a saúde. Ao final, fica uma sensação de que temos muitos faladores, movidos por ódio e desequilíbrios emocionais e poucos pensadores e cidadãos conscientes e ativos. Se uma das finalidades da educação neste estado, de cunho fortemente liberal, é formar para o exercício da cidadania, por que, ao invés de fazer campanha contra um cidadão que está enfermo, um ex-operário, nordestino, que chegou a ser presidente, não mobilizar os cidadãos online para uma campanha que vai realmente ter um retorno no caminho de uma cidadania plena?

Um comentário:

  1. De fato!Uma sociedade governada por uma determinada classe há mais de 1500 anos, sendo explorada unilateralmente, chega oas tempos modernos bem calejada e, sem sombra de dúvida não se pode esperar uma mudança radical em apenas pouco tempo.E outro fato curisoso, seria acreditar que as mesmas pessoas que nutrem esse ódio pessoal tenha se utilizado somente de planos de saúde (saúde particular), pois dessa forma, fica latente a falta de credibilidade para levantar tal campanha..E como os casos em que pais para punir filhos que não atingem boas notas os colocam na escola pública como forma de castigo.A escola pública é a regra e deveria ser obrigatória até o nono ano a todos os cidadãos brasileiros e ser permitido a escola privada somente a partir da 1ª série do Ensino Médio..Bom! Acho que fugir um pouco do tema, mas é isso aí..

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