sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aos que nos ajudam na busca do nosso próprio Caminho


 
Epitácio Rodrigues

“Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso, porque eu não era miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego, também não me importei. Agora estão me levando. Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo”.
Bertold Brecht

Quem escreve quase nunca se dá conta, mas um bom escritor é também um grande professor. Por isso, gostaria de escrever algo a partir do outro enfoque. Não mais da posição de quem “ensina”, mas de quem aprende. Escrevo como um aluno, pensando nos professores de milhões de brasileiros. Escrevo o sentimento de um grande número de jovens e adultos que ao ler certos escritos, ao beber das fontes dessa literatura, questionam outros discursos.
Os escritores são pessoas que, ao ousarem escrever, lançam-se ao público: seus sonhos, seus ideais, sua visão de mundo. Pessoa que, por seus escritos e suas idéias, tornam-se amados e odiados; através deles podem manter viva a utopia de um mundo mais justo, mais fraterno, mais humano. Pregadores de uma utopia que grita para ser topia, de um sonho prenhe do desejo de ser real.
Em todos os seus escritos: literários, filosóficos, psicológicos e humanísticos, encontramos - cada leitor a seu modo - motivações para continuar apostando no poder transformador da base, na emergência de um pensar, de um crer, de um sonhar e de um fazer libertadores.
Aprendizes, isto é o que somos. Temos consciência de sermos considerados, não poucas vezes, meros números na estatística de vendas. Figuras abstratas, designadas genérica e impessoalmente, como “os leitores”. Pessoas que fazem nome do escritor permanecer no palco da mídia, da literatura; seja este o propósito primeiro do escritor ou não, ao produzir a sua obra.
O que o escritor não sabe é que apesar de nunca termos sentados em uma cadeira, numa sala confortável (o que é raro encontrar) para ouvi-los, todos nos consideramos seus alunos. Entendemos os seus escritos, e através deles criamos laços afetivos com seus autores. Usamos suas idéias para compreender o mundo que nos cerca. Achamos em suas palavras razões para acreditar em nós mesmos, no poder e agir solidários, apesar de toda a realidade tópica apontar-nos um mundo obscuro e sem grandes perspectivas. Sim senhores, acreditamos porque a maioria de nós, “os leitores”, não lemos os seus escritos como pesquisadores, caçadores de argumentos para reforçar ou dar mais pesos científico às teses acadêmicas. Não! Muitos de nós lemos os seus textos, antes de tudo, como caçadores de esperança.

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