sábado, 18 de agosto de 2012

ALGUNS CONCEITOS FILOSÓFICOS


Neste texto apresentamos alguns conceitos filosóficos extraídos do livro Filosofia, de autoria do filósofo Antonio Joaquim do Severino e publicado pela Editora Cortez (2ª edição), publicado em 2007. O nosso propósito é colocar ao alcance dos alunos do Ensino Médio e de seus professores de Filosofia esses conceitos tão recorrentes na literatura filosófica.

Alienação: estado do indivíduo que não mais se pertence, que não mais detém o controle de si mesmo ou que se vê privado dos seus direitos fundamentais, passando a ser considerado uma coisa; processo pelo qual um ser se torna outro, distinto de si mesmo, ficando estranho a si mesmo, perdendo-se ao projetar sua identidade em outro, fora de si; processo ou estado de despossessão de si, vivida pelo sujeito humano, perda de sua própria essência que é projetada em outro sujeito (p.139).

Antropocentrismo: posição filosófica que afirma a prioridade do homem, enquanto ocupando lugar central e fundamental na ordem da existência real. O ser mais importante de toda a realidade sendo o homem, devendo ocupar então também o centro de referência de toda explicação filosófica. (p. 76- Adaptado)

Conhecimento: é a relação estabelecida entre sujeito e objeto, na qual o sujeito apreende informações a respeito do objeto. É a atividade do psiquismo humano que torna presente à sensibilidade ou à inteligência um determinado conteúdo, seja ele do campo empírico ou do próprio campo ideal. (p. 38)

Contradição: oposição entre dois polos incompatíveis, um afirmando, outro negando, ao mesmo tempo, algo de uma mesma coisa. Conflito real e histórico, luta de forças que se contrapõem no interior do real e do pensamento, toda situação/afirmação aparecendo apenas como um momento provisório que deve ser necessariamente negado para superado. (p.139).

Cosmocentrismo: posição filosófica que afirma a prioridade do mundo natural, enquanto ocupando lugar central e fundamental na ordem da existência real. Sendo a natureza ou mundo o ser mais importante de toda a realidade, devendo ocupar então também o centro de referência de toda explicação filosófica. (p. 76- Adaptado)

Cosmovisão: trata-se do conjunto de concepções, intuitivas e espontâneas, de acordo com as quais uma pessoa ou um grupo social pensam a sua própria realidade, a sua época e a sua existência em geral. É o conjunto mais ou menos articulado das ideias presentes e vigentes numa determinada sociedade ou implícitas numa teoria sistematizada. (p. 53).

Cultura: do ponto de vista antropológico, e por oposição à natureza, a cultura é o conjunto dos produtos, das representações e dos procedimentos postos pelos homens enquanto seres sociais. Tudo aquilo que não é posto como mero resultado da ação mecânica da natureza, portanto, tudo aquilo que passa por uma impregnação de algum tipo de intervenção humana.
Daí significar também o processo global dinâmico pelo qual esses elementos que a constituem se inter-relacionam e são apropriados, pelas vias da educação e das demais formas de comunicação, pelos indivíduos que compõem a sociedade.
Num plano ainda mais abrangente, a cultura significa essa dimensão mais espiritual da vida social ou individual e que é constituída por processos subjetivos de simbolização, de imaginação e de sensibilidade. (p. 185).

Dedução: procedimento lógico, raciocínio, pelo qual se pode tirar de uma ou de várias proposições (premissas) uma conclusão que delas decorre por força puramente lógica.a conclusão segue-se necessariamente da premissas. (p.126).

Determinismo universal: princípio segundo o qual todos os fenômenos da natureza são rigidamente determinados e interligados entre si, de acordo com leis que expressam relações causais constantes. (p.126).

Dialética: processo de superação da contradição: movimento do real por cuja dinâmica interna um dado elemento é negado pelo seu contrário que, por sua vez, é também negado e superado por um novo elemento, numa sequencia permanente de afirmação, negação e superação; método de pensamento adequado para o entendimento desse processo. (p.139).

Empirismo: teoria epistemológica que afirma a radical derivação, direta ou indireta, de todo conhecimento da experiência sensível, seja ela interna ou externa. (p. 108).

Epistemologia: área da filosofia que estuda a questão do conhecimento humano, tendo assumido dois sentidos na tradição filosófica ocidental. Um sentido geral: estudo descritivo e crítico dos processos gerais do conhecimento, tendo por sinônimos gnoseologia, teoria do conhecimento; e um sentido mais restrito: estudo descritivo e critico do conhecimento cientifico em particular. Só o contexto de seu uso no texto poderá esclarecer em que sentido o termo está sendo tomado (p. 38).

Escolástica: no seu sentido histórico, é a escola filosófica constituída na Idade Média, nas escolas eclesiásticas e nas universidades europeias da época. Com conteúdo formado pela síntese das doutrinas platônico-aristotélicas com as doutrinas cristãs, caracteriza-se pelo desenvolvimento de uma metodologia de pensamento e por uma pedagogia fundadas na lógica formal de Aristóteles. O seu caráter formalista, repetitivo, verbalista e a sua tendência ao dogmatismo acabaram por dar ao termo um sentido pejorativo. (p. 53).

Essência: é o núcleo básico, conjunto de características que fazem com que uma coisa seja o que ela é; é o que define e especifica a natureza dessa coisa. A essência de um ser é aquilo que é fundamental e imprescindível para que ele seja o que é, em sua especificidade e identidade, distinto de outros seres (p. 76).

Estética: área da filosofia encarregada de estudo da sensação, abordando a experiência vivida nas várias formas de sensibilidade, levando em conta a agradabilidade provocada no sujeito. Daí se relacionar diretamente com a arte enquanto forma de expressão criativa do belo. (p. 186).

Ética: é a área da filosofia que investiga os problemas colocados pelo agir humano enquanto relacionado com valores morais. Busca assim discutir e fundamentar os juízos de valor a que se referem as ações quando neles fundam seus objetivos, critérios e fins.
E bom atentar para o fato de que em nosso meio, muitas vezes, os termos ética e moral são tomados como sinônimos, tanto para designar as prescrições vigentes como para designar a disciplina que estuda os valores implicados na ação. Só o contexto pode dizer em que sentido os termos estão sendo usados. (p. 196).

Fenômeno: no vocabulário científico, é toa manifestação dos corpos naturais, é o fato observável; na filosofia de Kant, é o objeto da experiência do conhecimento enquanto síntese de impressões sensíveis e das formas a priori do entendimento. (p.107).

Filosofia política: área da filosofia que analisa as relações entre indivíduos e sociedade, as formas de expressão e exercício do poder, os sistemas de governo, a natureza e a fundamentação da atividade política. (p. 168).

Hipótese: proposição explicativa provisória d relações entre fenômenos, a ser comprovada ou infirmada pela experimentação. Se confirmada, transforma-se na lei. (p.126).

Ideologia: é igualmente um conjunto de representações, ideias, conceitos e valores, mediante os quais as pessoas ou grupos acreditam estar conhecendo e avaliando todos os aspectos da realidade. O caráter ideológico dessas representações vem do fato de que elas atuam mascarando, no plano subjetivo, o significado real objetivo desses aspectos, e isso em função de interesses de pessoas ou grupos particulares, que pretendem impor algum tipo de dominação. Nesse sentido, a ideologia é um falseamento da consciência, camuflando a objetividade das situações reais. Como toda produção da consciência, também a cosmovisão envolve elementos ideológicos, funcionando ideologicamente (p. 53).

Iluminismo: concepção filosófica de acordo cm a qual o conhecimento se Sá em função das luzes da razão e que só o conhecimento racional crítico e a cientificidade emancipa o homem da superstição e do dogma, promovendo seu progresso em todos os campos. Por extensão, é todo movimento político, literário ou cultural que se apoia nessa visão. (p. 108).

Inatismo: concepção epistemológica de acordo com a qual algumas ideias são inatas, ou seja, não dependem de nenhuma experiência anterior, surgindo com a própria estruturação da consciência. (p. 107).

Indução: procedimento lógico pelo qual se passa de alguns fatos particulares a um princípio geral. Trata-se de um processo de generalização, fundado no pressuposto filosófico do determinismo universal. Pela indução, estabelece-se uma lei geral a partir da repetição constatada de regularidades em vários casos particulares; da observação de reiteradas incidências de uma determinada regularidade, conclui-se pela sua ocorrência em todos os casos possíveis. (p.126).

Lei científica: enunciado de uma relação causal constante entre fenômenos ou elementos de um fenômeno. Relações necessárias, naturais e invariáveis. Fórmula geral que sintetiza um conjunto de fatos naturais, expressando uma relação funcional constante entre variáveis. (p.126).

Liberalismo: posição político-filosófica que considera a liberdade individual como o principio fundamental e o valor máximo da existência humana, contrapondo-se a todo e qualquer poder de intervenção que limite essa liberdade e cerceie a iniciativa dos indivíduos – de modo especial, o poder do Estado. (p.169).

Mito: em seu sentido original, é narrativa lendária desenvolvida pelas tradições culturais que procura explicar a origem do mundo e da humanidade, recorrendo a entidades e forças sobrenaturais, divinas e misteriosas; por derivação, pode significar crença sem fundamento, sem base, apesar de bem aceita no âmbito de determinada cultura (o mito da superioridade racial dos brancos), ou, então, uma narrativa alegórica, objetivando apenas passar uma representação simbólica (p.76).

Moral: é o conjunto de prescrições vigentes numa determinada sociedade e consideradas como critérios válidos para a orientação do agir de todos os membros dessa sociedade.
A ação humana, do ponto de vista moral, é fundada me valores, ou seja, princípios expressos mediante juízos apreciativos que são vivenciados por uma sensibilidade da consciência subjetiva dos indivíduos e que são concretizados objetivamente em normas práticas de ação e em costumes culturais no seio das sociedades. (p. 195-196).

Númeno: conceito Kantiano que designa a essência, a coisa em si, independente de qualquer relação a um sujeito (p. 107).

Objetividade: é a condição e o modo de ser do objeto, entendido como o dado que fornece informações à mente, à consciência do sujeito na relação de conhecimento e de outras formas de sensibilidade. (p. 38)

Postulado: proposição nem evidente nem demonstrável que deve ser aceita como válida para a sustentação de um raciocínio ou de um sistema teórico (p.108)

Poder político: capacidade e exercício de domínio de pessoas ou grupos sobre outros, num contexto de relações sociais, com força de determinação de suas vontades e ações. (p. 168).

Racionalidade: característica daquilo que se refere à razão. Considera-se como razão a consciência subjetiva enquanto procede logicamente, estabelecendo nexos dotados de coerência lógica entre os vários objetos de sua apreensão. Com isso, distingue-se a atitude racional da consciência subjetiva de outras suas formas de manifestação, tais como a atitude emocional, a atitude imaginativa, a atitude afetiva, a atitude religiosa, a atitude estética etc., que são todas atitudes subjetivas sem serem, no entanto, atitudes lógico-racionais. (p. 38-39).

Racionalismo: posição filosófica que considera que só a razão natural é condição necessária e suficiente, bem como fundamento de todo conhecimento (p. 108).

Religião: sistema de crenças em divindades sobrenaturais articulado a um conjunto de normas de ação, de atitudes práticas, de comportamentos pessoais, de celebrações rituais e de institucionalizações sociais que visam estabelecer um tipo de relacionamento entre o natural e o sobrenatural, relacionamento que propicie uma garantia de salvação divina para os homens. (p. 76)

Símbolo: é o signo onde a relação significante/significado já não é totalmente arbitrária, uma vez que decorre de uma analogia real ou suposta, aproveitando-se de unidades previamente significativas. Exemplo: a balança como símbolo da justiça, o cão como símbolo da lealdade, a bandeira como símbolo do país. (p. 185).

Significado: é a parte imaterial do signo, a parte inteligível, o conteúdo ideal, o conceito. (p. 185).

Significante: é a parte materializada do signo, a parte perceptível, imagem acústica. (p. 185).

Signo: é todo elemento que representa e substitui um objeto enquanto apreensível por um sujeito; é uma entidade formada de um aspecto físico ou significante e de um aspecto inteligível ou significado. Assim, no caso do signo, a relação significante/significado é estabelecida arbitrária e convencionalmente. (p. 185).

Sinal: é um fato físico ligado a outro fato físico por uma relação natural ou convencional: nuvem negra é sinal de chuva, batida de sino é sinal de missa. O sinal é percebido como impressão sensorial, relaciona duas sensações. É indicativo, tem função sensório-motor, ao passo que o símbolo tem função meramente representativa. (p. 185).

Sistema: conjunto organizado cujas partes são interdependentes, obedecendo a um único princípio, entendido este como uma lei absolutamente geral, uma proposição fundamental. (p.126).

Subjetividade (e seus correlatos: sujeito, subjetivo): é a condição daquilo que se refere à consciência enquanto polo que recebe as informações sobre os objetos nas relações que constituem as experiências dos homens frente aos vários aspectos da realidade. É a condição e o modo de atuação do sujeito, entendido este como a esfera mental do homem enquanto polo que recebe e apreende as informações referentes aos objetos na relação do conhecimento e das demais formas de sensibilidade. (p. 38)

Subjetivismo: posição filosófica que privilegia a contribuição e a participação da subjetividade no processo do conhecimento (p.107).

Tecnocracia: sistema de organização política e social que se apoia apenas em procedimentos técnico-racionais, levando em conta tão-somente os critérios de funcionalidade, de eficiência e de produtividade, desconsiderando-se critérios éticos e sociais. (p.169).

Teocentrismo: posição filosófica que afirma a prioridade de Deus, enquanto ocupando lugar central e fundamental na ordem da existência real. O ser mais importante de toda a realidade sendo Deus, devendo ocupar então também o centro de referência de toda explicação filosófica. (p. 76- Adaptado)

Teoria: conjunto de concepções, sistematicamente organizadas; síntese geral que se propõe explicar um conjunto de fatos cujos subconjuntos foram explicados pelas leis. (p.126)

Variável: é todo fato ou fenômeno que se encontra numa relação com outros fatos, enquanto submetido a um processo de variação, qualquer que seja o tipo de variação com relação a alguma propriedade ou grau, a variação de um fato se correlacionando com a variação do outro. Exemplo: o calor dilatando o metal (p.126).

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