sábado, 28 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
POLÍTICA, POLITICAGEM, CIÊNCIA POLÍTICA E FILOSOFIA POLÍTICA
Epitácio Rodrigues
O que é
política? Qual a diferença entre política, politicagem, Ciência Política e
Filosofia Política? Nesta aula vamos abordar essas diferenças para deixar mais
claro em que consiste a política e seus principais elementos, mas, sobretudo,
para elucidar melhor a especificidade da reflexão filosófica sobre a política.
Quando pesquisamos nos
dicionários de língua portuguesa, percebemos que a palavra política aparece como sinônimo de “arte ou ciência de governar” ou
“aplicação desta arte nos negócios internos da nação (política interna) ou nos
negócios externos (política externa)” e ainda como “prática ou profissão de
conduzir negócios políticos.” A lexicografia sugere que se trata de um conjunto
de atividades voltadas à administração dos negócios públicos, circunscrito num
determinado espaço e as relações internas e externas dessas atividades e também
seus atores mais imediatos. O filósofo francês, André Comte-Sponville inúmeras
vezes define a política como uma gestão não guerreira de conflitos, alianças e
relações de poder no âmbito coletivo, de toda uma sociedade.[1] São, portanto, elementos da
definição de política: a noção de governo e gestão; o poder como elemento de
exercício de gestão; e o caráter coletivo dessa atuação.
Numa sociedade democrática,
como é o caso da nossa, chamamos de políticos, em sentido estrito, aqueles que
se ocupam mais diretamente das atividades relacionadas à administração dos
negócios públicos. Porém, em sentido mais amplo, todos nós somos considerados
atores políticos, na medida em que compete também a nós eleger, acompanhar e
exigir que os recursos públicos, os projetos de leis sejam voltados ao
atendimento das necessidades de toda a coletividade.
Por isso, quando o poder de
administrar os negócios públicos é utilizado para beneficiar apenas aquele que
o detém ou seus pares, não se trata mais de política, mas de politicagem. A politicagem é a corrupção
da finalidade política, na medida em que a administração dos negócios ou bens
públicos não está mais voltada ao benefício da coletividade e sim à satisfação
de interesses particulares e pessoais dos gestores.
Como
ficou explicitado acima, a política é uma atividade ou conjuntos de ações. Isso
significa que é da sua natureza ter um caráter acentuadamente concreto e
prático. Porém, existem saberes especializados que se ocupam com o estudo da
atividade política, dentre eles a Ciência Política e a Filosofia Política. A
Ciência Política
é uma das Ciências Sociais que tem como objeto de estudo o conjunto de ações
que compõem o universo da política e seus atores. São alguns dos temas
investigados por ela: a distribuição de poder na sociedade; a descrição e
análise dos sistemas políticos; a observação do comportamento político e dos
mecanismos eleitorais; as formas de governo.
Por sua
vez, a Filosofia da política (ou Filosofia política) é um campo da Filosofia
que analisa racionalmente o fenômeno político e suas características, as
instituições sociais, as práticas políticas, os regimes políticos e as formas
de governo, as teorias de estado e a origem e formação da sociedade.[2] Para
Cotrim (2008), a Filosofia Política tem “como objetivo a analisar as diversas
formas de poder, de relações entre o poder e os cidadãos, dos sistemas de
governo.[3]segundo
ele, “integram a temática básica da filosofia política as reflexões em torno do
poder, do Estado, dos regimes políticos e formas de governo, da participação
dos cidadãos na vida pública, entre outros temas.”[4]
São
algumas das questões abordadas pelas Filosofia Política, a saber: o que é
política? O que é poder? Qual tipo de poder é próprio da política? Quem é o
detentor do poder político? Como se relacionam os fenômenos do poder, da força,
da violência e a atividade política. O que é o Estado? Qual sua origem e sua
função? Qual a relação entre estado, governo e povo? Qual a melhor forma de
organização política? Qual a relação entre política e ética?
Fica,
portanto, claro que existe uma diferença entre política, politicagem, ciência
política e Filosofia política.
Referencia
bibliográfica:
CHAUI, Marilena.
Convite à Filosofia. São Paulo:
Ática, 2001.
COMTE-SPONVILLE. Apresentação da Filosofia. São Paulo:
Martins Fontes, 2002.
COTRIM,
Gilberto. Filosofia Temática. São
Paulo: Saraiva, 2008;
DUROZOI, Gérard
& ROUSSEL, André. Dicionário de
Filosofia. 5ª ed. Campinas, SP: Papirus, 1993.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
2015, ANO DECISIVO PARA A NOSSA CIVILIZAÇÃO
Wlirian
Nobre
Geógrafo e
professor
De acordo com a
Agência Espacial Americana (NASA) o ano de 2014 foi o ano mais quente desde
1880, ano em que começam os registros da temperatura no planeta. O pior de tudo
isso é que nesses 134 anos de medição os dez anos mais quentes, com exceção de
1998, foram de 2000 pra cá. Isso é estatística, é fato, portanto, não há dúvida
sobre o aquecimento global assim como não há razão para otimismo.
Chegamos a um
momento crítico de nossa existência. Somos uma só humanidade e um único planeta
e, portanto o nosso destino é comum. Ou formamos uma aliança global com uma
consciência planetária ou não conseguiremos salvar a nossa civilização.
De acordo com
Boff (2013), a Terra conheceu 15 grandes dizimações. A última ocorreu a 65
milhões de anos atrás. Agora, as provas são irrefutáveis, é a espécie humana
que ameaça todas as formas de vida do planeta. Estamos travando uma guerra
irracional com a natureza apenas para acumular riqueza. Apenas 7% dos mais
ricos contribuem com 50% das emissões de gases do efeito estufa, é um desejo
infinito num planeta que é finito. Considere que em 2070 seremos cerca de 10
bilhões de habitantes e precisaremos aumentar a produção de alimentos em cerca
de 70%. Se todos os habitantes desejarem levar uma vida semelhante ao modo de
produção e consumo dos países capitalistas avançados “apenas às reservas de
petróleo conhecidas seriam esgotadas em 19 dias” (LÖWY, 2014, p.46).
Se depender dos
governos e da elite dominante, obcecada por riqueza material, entraremos numa
fase de desastres ecológicos de proporções incalculáveis. O exemplo da última
conferência do clima representa bem essa realidade. A COP-19 realizada em Lima,
no Peru, em dezembro do ano passado, foi um grande teatro do absurdo. Em 10
dias de reuniões os representantes dos 196 países não chegaram a um consenso e
mais uma vez jogaram as decisões importantes para o próximo encontro que
ocorrerá em Paris no final desse ano.
Lamentavelmente
os governos não conseguem perceber a urgência da crise ambiental e vão adiando
acordos importantes para não afetar sua economia. As propostas dessas
conferências são apenas paliativas que suavizam os problemas. Mas as mudanças
não são simples, é preciso uma profunda mudança de paradigma (visões, valores,
tradições, saberes, etc.). É preciso uma mudança radical, as meias medidas, as
semirreformas, as conferências, os créditos de carbono são incapazes de dar uma
solução ao problema.
No sistema
capitalista vigente a busca da sustentabilidade é pura fantasia, tudo é visto
pela ótica do mercado, o desejo é maximalizar os lucros à custa da natureza
gerando desigualdades sociais e desequilíbrios ecológicos. A raiz do problema é
o “consumo fundado na ostentação, no desperdício, na alienação mercantil e na
obsessão infinita por riqueza” (LÖWY, 2014, p. 48). Como reverter isso sem
romper com a lei do mercado, do lucro e da acumulação desenfreada. Somente um
projeto de mudança radical pode fornecer uma alternativa ao progresso
destrutivo capitalista.
A verdadeira sustentabilidade
que visa o coletivo, a cooperação e a harmonia entre todas as formas de vida
está na contramão do sistema capitalista. Cresce no mundo inteiro um movimento
de inconformismo, pessoas que reagem, contestam, subvertem e desobedecem as
determinações desse sistema padronizante. Entretanto, essas mudanças de
comportamento e atitude ainda são insuficientes, é preciso romper com os
fundamentos da civilização capitalista. Esperamos que a COP-20 seja um evento
global onde as populações possam encurralar os governos para que esses rompam
com a ditadura da economia lançando os alicerces de uma nova sociedade, antes
que o planeta mergulhe no caos.
REFERÊNCIAS
BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: o que
é – o que não é. 2º ed. – Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
CARLSSON, Chris. Nowtopia: iniciativas
que estão construindo o futuro de hoje. Porto Alegre: Tomo editorial, 2014.
LÖWY, Michael. O que é o ecossocialismo?
2º ed. – São Paulo: Cortez, 2014.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
TERRORISMO E PÂNICO SOCIAL NO OCIDENTE
Epitácio Rodrigues
Nos
últimos anos uma sensação de pânico social está crescendo cada vez mais,
sobretudo na Europa e nos Estados Unidos, graças aos acontecimentos envolvendo
grupos radicais do Oriente Médio que se apresentam como seguidores do islamismo.
Atentados à bomba, sequestros, execuções transmitidas pelos meios de
comunicação e internet tornaram o termo terrorismo parte do nosso vocabulário cotidiano.
Mas o que se deve entender por terrorismo? André Comte-Sponville, filósofo
francês, no Dicionário Filosófico, o
define como a utilização da violência para fins de natureza política contra um
poder estabelecido que não se pode vencer nem por vias democráticas nem pela
força militar. Os terroristas, segundo ele, são combatentes da sombra, na
medida em que não estão presos às leis ou convenções da guerra, não hesitando,
inclusive, em atacar civis ou inocentes, caso julguem necessário para atingir
os seus objetivos.
Para
Leonardo Boff, teólogo brasileiro, o terrorismo é uma violência espetacular
praticada com o propósito de ocupar as mentes das pessoas de medo e pavor. Não
se trata apenas da violência em si, mas do seu caráter espetacular, capaz de dominar
as mentes de todos, ativando o imaginário social e internalizando o medo nas
pessoas. Por isso, os atos terroristas, normalmente, possuem esse caráter
espetacular, que evidencia a sagacidade de seus feitores e gera a estupefação
social; são realizados por pessoas anônimas, promovendo assim uma desconfiança
generalizada, um medo constante e uma distorção coletiva na percepção da
realidade, que torna qualquer situação imprevista um ato de terror em
potencial. Essas
considerações nos ajudam a entender o clima de pânico reinante na Europa, n’alguns
países do Oriente e na America do Norte.
De fato, o combate ao terrorismo tem desafiado as
grandes potências europeias e americanas que, mesmo dispondo de sofisticado
serviço de inteligência, não deixam de experimentar uma sensação de pânico e as
razões, além das apresentadas por Boff, podem ser sintetizadas em três ou
quatro desafios. O primeiro deles é que os integrantes desses movimentos não
são mercenários, não fazem guerra ao inimigo por dinheiro, mas por ódio ao
Ocidente e à ocidentalização do mundo. Seus membros são pessoas instruídas a
desde muito cedo ver a civilização ocidental como inimiga de seus costumes e de
sua divindade. Por isso, esse inimigo deve ser combatido. Os radicais, como a
imprensa nos acostumou a chamá-los, não têm medo de morrer por essa causa. Fica
a pergunta: como vencer um inimigo que não vacila frente à morte em nome de sua
causa? O que fazer quando morrer em nome dessa causa é motivo de glória e
estímulo aos demais?
Outra questão é que eles não possuem características
que os diferenciem dos demais seguidores do islamismo. Podem passa-se por uma
pessoa piedosamente seguidora dos preceitos de fé religiosa sem levantar
maiores suspeitas. A resistência no tocante à política de imigração também tem
muito de proteção contra esse inimigo sem fisionomia definida. Para deixar a
situação ainda mais complexa, inúmeros jovens europeus e norte americanos estão
aderindo a esses grupos radicais.
Porém, de todas as dificuldades, a mais desafiadora
é que os grupos radicais funcionam, se comportam de maneira similar ao velho
preceito da Hidra de Lerna: “corte uma cabeça e duas novas nascerão”.
Em suma, estamos presenciando uma “guerra” das
grandes potências europeias e americanas contra o terror dos radicais
islâmicos, marcada por medo, ódio e fanatismo. Nesse meio fica a sociedade
civil em pânico por causa de um inimigo que é potencialmente imprevisível, na
medida em que pode ser qualquer um e em qualquer esquina.
Referência bibliográfica:
BOFF, Leonardo. Fundamentalismo,
terrorismo, religião e paz. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009;
COMTE-SPONVILLE, Andre. Dicionário Filosófico. 2ª ed. São Paulo:
WMF Martins Fontes, 2011.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
SERÁ QUE NÃO FALTOU BOM SENSO?
Epitácio
Rodrigues
Foi na França que um grande filósofo escreveu: “O BOM SENSO é coisa do
mundo melhor partilhada, pois cada qual pensar estar tão bem provido dele,
mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costuma
desejar tê-lo mais do que o têm [...] não é suficiente ter o espírito bom, o
principal é aplicá-lo bem" (DESCARTES,1996, p. 65).
Os últimos acontecimentos envolvendo grupos radicais do
Islamismo e o jornal francês Charlie Hebdo colocaram em evidência temas como fundamentalismo,
terrorismo, tolerância religiosa e liberdade de imprensa. Mas o destaque dado a
esses temas vem acompanhado de uma manipulação tendenciosa. Por que digo
tendenciosa? Porque o principal meio de divulgação do que está acontecendo é a imprensa,
que tem num dos lados do conflito uma das suas formas de existência, o jornal.
Por isso, a situação pede que se faça algumas ponderações a respeito do
assunto.
A primeira observação diz respeito ao fundamentalismo. O problema pode
ser sintetizado no seguinte questionamento: será que existe, de fato, uma
religião fundamentalista? Podemos dizer, como sugerem os meios de comunicação,
que os seguidores do islã são fundamentalistas? Será que no interior do Cristianismo,
religião dominante no Ocidente, não tem um histórico de práticas e posturas fundamentalistas?
Noutras palavras, é preciso delinear uma compreensão de fundamentalismo
religioso, visando dirimir a consolidação de atitudes preconceituosas em
relação a certos grupos étnicos e culturais.
Como já acenamos acima, os meios de comunicação de
massa frequentemente apresentam fatos que são caracterizados nos noticiários
como fundamentalistas. Quando houve a destruição das torres gêmeas, os
muçulmanos foram responsabilizados. Criou-se uma verdadeira aversão a
praticamente uma comunidade inteira. Falar em fundamentalismo é frequentemente
associado aos radicais muçulmanos. Será que existe uma religião que seja
fundamentalista?
Para o sociólogo Anthony Gidenns, o fundamentalismo
religioso é a “abordagem assumida por grupos religiosos que exigem a
interpretação literal das escrituras ou dos textos fundamentais e acreditam que
as doutrinas surgidas a partir dessas leituras devem ser aplicadas a todos os
aspectos da vida social, econômica e política” (2005, p.447). Uma
característica do fundamentalismo é a defesa da existência de apenas uma visão
de mundo correta. Não há, portanto, lembra Gidenns, espaço para ambiguidades ou
múltiplas interpretações.
No mesmo sentido o afirma Leonardo Boff, para o qual
o fundamentalismo não é uma doutrina, mas uma forma de interpretar e viver a
doutrina. A pessoa fundamentalista é aquela que assume de forma literal o texto
de certas doutrinas e normas sem considerar o seu sentido e sua dimensão
histórica e cultural, exigindo, portanto, uma constante interpretação e
atualização, como condição de garantia de conservação da sua verdade original.
Em suma, dirá o pensador, que o fundamentalista é aquele que confere um caráter
absoluto ao seu ponto de vista.
Na compreensão dos dois pensadores, o fundamentalismo
surge mais como uma questão de hermenêutica. Trata-se de uma forma de
interpretar os textos tidos como sagrados. Essa interpretação é literal, no
sentido de entender o que está escrito, tal qual a letra apresenta. Ademais é
também dogmática, na medida em coloca o texto como verdade absoluta e
inquestionável.
Para os autores, portanto, o fundamentalismo seria,
no campo da interpretação um erro hermenêutico, uma interpretação literal de um
dado texto considerado sagrado. Já no campo gnosiológica, um erro dogmático,
por considerar como verdade absoluta e inquestionável um texto que tem sempre a
tinta humana. Mais também um erro de conduta, visto que assim entendido gera
comportamento e posturas que promovem ações radicais, intransigentes e
inflexíveis.
O fundamentalismo religioso é sempre, parece-me,
reacionário. No sentido que a modernidade e laicização da sociedade é vista
como uma ameaça contra a Divindade.
Assim, fica evidente que o fundamentalismo não tem
uma estrutura de religião, mas de postura frente aos ensinamentos de uma dada
religião. Que sua motivação inicial está de algum modo relacionada, de forma
reacionária, aos movimentos da chamada racionalidade moderna, fortemente
marcada por uma postura secularizada. Ou seja, frente um movimento ou sociedade
que postula a necessidade de explicações racionais e científicas para os
fenômenos sociais e naturais, que afirma a historicidade do conhecimento da
verdade, os fundamentalistas negam, de certa forma, a historicidade humana, na
medida em que negam aos textos tidos como sacros a sua historicidade e sua
dependência de contextos históricos e culturais.
O terrorismo, quando vinculado à questão religiosa, é
um ódio destinado ao não participante daquela compreensão religiosa do mundo,
da vida e da morte ou pós-morte. O terrorismo é uma ação violenta que tem na
base uma compreensão violentada da religião.
A tolerância religiosa, uma valor defendido na
Modernidade, se configura mais como um respeito ao credo diferente e do seu
espaço, uma experiência de alteridade, na qual se reconhece no outro o direito
de crer numa realidade transcendente ou imanente, e até mesmo de não professar
crença em nenhuma realidade sobre-humana de caráter sagrado ou divino.
O grande problema é que frequentemente os grupos ou
comunidades religiosas querem expandir seu jeito de entender a existência como
o único autenticamente válido – uma espécie de ontologia fidei: uma compreensão segundo a qual só a sua
religião verdadeira, as demaissão reduzidas ao não-ser.
Do outro lado, os meios de comunicação de massa usam,
de modo ideológico, o discurso da liberdade de imprensa como um absoluto. A
equação é mais ou menos a seguinte: ou a Imprensa goza de liberdade absoluta e
irrestrita, ou o Estado é ditador. Ora, a Imprensa, a priori, é um
veículo de comunicação cujo papel principal divulgar os fatos e acontecimentos,
tendo como norma a verdade e como fim a informação. O problema é que nos
esquecemos que aquilo que chamamos genericamente de imprensa é, na verdade, um
conjunto de empresas que como todas as demais, objetivam gerar lucros. Assim,
nos últimos anos têm-se percebido que esses meios de comunicação frequentemente
recorrem ao sensacionalismo e à produção de polêmicas para estimular o consumo
de seu produto. Não quero aqui corroborar a ação dos terroristas no que se
refere ao ataque à sede do jornal. Pois o que eles fizeram não tem
justificativa plausível: os radicais assassinaram algumas pessoas por
satirizarem com o profeta Maomé. Por outro lado, os protagonistas dessa ação
sabiam que para os seguidores do Islamismo retratar o profeta Maomé é algo
proibido e considerado extremamente ofensivo. Por isso, aqueles que fizeram as caricaturas
satirizando o profeta sabiam que uma reação violenta nesse nível era não só
possível, mas muito provável. Foi um risco que, ainda que se diga ter sido
realizado em nome da liberdade de imprensa, na verdade, tinha como motivação
vender o jornal usando uma matéria polêmica.
Essa é a questão silenciada: vivemos numa verdadeira
crise da Imprensa que é primeiramente gnosiológica, na medida em que ela não
divulga fatos, mas interpretações, julgamentos, condenações ou aprovações de
fatos. As palavras de Chaui a respeito do jornalismo ganham uma eloquência
singular nesse sentido: “rápido, barato, inexato, partidarista, mescla de
informações aleatoriamente obtidas e pouco confiáveis, não-investigativo,
opinativo ou assertivo, detentor da credibilidade e da plausibilidade, o
jornalismo se tornou protagonista da destruição da opinião pública”(2006, p.14).
Mais adiante afirma: “no noticiário, o sujeito é o locutor (ou “âncora”) e o
repórter, isto é, o sujeito é a TV, enquanto a notícia e seus protagonistas são
objetos. Os protagonistas da notícia falam à câmera, dando assim veracidade à
televisão como sujeito único do noticiário. Em contrapartida, o locutor (o
“âncora”) e o repórter se dirigem a nós, explicando e interpretando o que o
protagonista diz, uma vez que este é um objeto – portanto, nada sabe – e a TV,
o sujeito – portanto, sabe tudo” (CHAUI, 2006, p. 53).
Uma consequência é que a Imprensa cria “uma verdade”
que quando é mentirosa possui efeitos danosos e quase sempre irreparáveis. Uma
matéria errada que torna material impresso ou televisivo torna-se material de
pesquisa para gerações futuras e perpetua ou faz ficar verdadeira uma
interpretação mentirosa, mesmo que de um fato. Penso que, no caso específico do
ataque a sede do jornal, fica a indagação: desrespeitar o profeta Maomé, considerado o
fundador do Islamismo, não seria um ato de intolerância e de falta de bom
senso? E a outra questão que fica é a seguinte: é preciso discutir, ao lado da
propalada liberdade de imprensa, a responsabilidade da imprensa.
Referência bibliográfica:
BOFF, Leonardo. Fundamentalismo,
Terrorismo, Religião e Paz: desafios para o século XXI. Petrópolis: Editora
Vozes, 2009.
CHAUI, Marilena. Simulacro e poder: uma
análise da mídia. São Paulo: Perseu Abramo, 2006
DESCARTES, R. Discurso do método.
São Paulo: Nova Cultural, 1996. ( Col Os Pensadores).
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4ª.
ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
A ARTE DE CONSOLAR
Epitácio
Rodrigues da Silva
“Ouviu-se uma
voz em Ramá, choro e grande lamentação”:
Raquel chora
seus filhos e não quer consolação,
Porque eles já
não existem” (Mt 2,18).
O sofrimento, enquanto dor na alma,
é algo do qual o ser humano não consegue se furtar, uma vez que viver é também
está sujeito às doenças, desilusões, crises existenciais, revoltas e uma
infinidade de situações que podem ou não ter origem em uma dor física, mas que
se manifestam como um abalo psíquico e emocional que, dependendo da intensidade,
impossibilitam o individuo de fazer uma avaliação objetiva da situação e até
mesmo de retomar as rédeas da sua vida cotidiana por um certo intervalo de
tempo. Mas o sofrimento tende a ser transitório na sua duração e diminuído na
sua intensidade, não sendo a última palavra no vocabulário existência de um ser
humano: se é verdade que não podermos viver sem experimentar algum tipo de
sofrimento, não é verdade também que viver e sofrer não se equivalem: ele tende
a diminuir de intensidade e passar com o tempo.
Isso não significa que esperar seja
a única opção. Pois, o ser humano carrega a crença otimista de que pode
intervir, seja na intensidade, seja na abreviação do sofrimento das pessoas que
padecem de algum tipo de dor na alma. A dor do outro frequentemente tem o poder
de intimar o ser humano a sair da indiferença, despertando-lhe um sentimento de
solidariedade, na maioria das vezes, revestida sob a forma de consolo: ação de
ir ao encontro de quem sofre com palavras que se propõem auxiliar no alívio da
sua dor.
A arte de consolar carrega uma
pretensão humilde. Quem consola sabe que não irá extinguir a dor, mas apenas a
atenuá-la. Essa consciência, ao que tudo indica, existe desde as sociedades
mais antigas. Os gregos, por exemplo, para descrever a ação de consolar, usavam
a palavra paramytheomai, que
significa: “falar de modo positivo e
benevolente para uma pessoa; aliviar,
encorajar, exortar, dirigir palavras de
ânimo”. Essa palavra foi criada juntando os termos para - perto de, junto de; e mytheomai (verbo derivado de mythos - conversa, diálogo, conselho...) que indica a ação de falar, conversar. Para
eles, portanto, era claro o entendimento de que consolar é colocar-se junto de alguém que sofre e dirigir-lhes
palavras de ânimo, encorajamento e de alívio da sua dor.
Mas a maior dificuldade das pessoas
diante de alguém que sofre é justamente saber o que lhe dizer. Quais palavras
que, uma vez pronunciadas, atenuarão a sua dor? Muita gente deixa de visitar
uma pessoa querida quando ela está enferma ou perdeu um ente querido por acreditar
não saber o que dizer diante do seu sofrimento. Realmente palavras vazias não
realizarão a função do consolo. Lembro-me uma vez num velório numa comunidade
pequena de zona rural que uma senhora havia perdido o filho num acidente
trágico e chorava desoladamente. Um senhor aproximou-se dela e disse: “não
chore não, morreu acabou!” ao ouvir essas palavras, ela esbravejou umas três
vezes seguidas: “acabou não! A intenção daquele homem do campo era boa, mas a
crença daquela piedosa senhora entrava em choque com aquelas palavras. Por
isso, é fundamental saber quem é a pessoa, quais suas crenças, sua visão da
vida e seus valores mais fundamentais. Porém, quando não se conhece a pessoa o suficiente,
vale lembrar que o diálogo, plataforma do consolo, é um movimento de fala e
escuta. Se não sabe o que dizer, não diga nada. Mas sempre escute o sofrimento
do outro. Tenho visto situações em que as pessoas se ocupam tanto em falar coisas
e não são capazes de ouvir o sofrimento do outro. Estar presente é uma forma de
falar de sua solidariedade; um jeito de dizer que se importa com a pessoa. Pois,
o maior problema diante do sofrimento de alguém não é o silêncio, mas a
indiferença.
O consolo é um modo de solidariedade,
no qual alguém, diante do sofrimento de outrem, se propõe restabelecer-lhe o
chão da existência, mediante uma palavra encorajadora ou de alívio de uma dor.
Mas o mais fundamental é que fazendo isso, ela mostra que se importa com a dor
daquela pessoa e espera de encontrar alguma palavra que lhe ajude a se reanimar
e encarar com mais serenidade o sofrimento que lhe é inevitável.
terça-feira, 29 de julho de 2014
SOBRE O FILÓSOFO DJACIR MENEZES
Epitácio Rodrigues
Nos cursos de graduação e nas aulas ministradas no Ensino Médio pouco se fala a respeito dos filósofos brasileiros e de suas contribuições para a consolidação de uma produção filosófica entre-nós. Nesse sentido, este texto pretende ser uma apresentação, ainda que muito insipiente, do filósofo Djacir Menezes, um pensador brasileiro cuja produção intelectual trouxe significativos contributos à reflexão filosófica, sociológica, econômica e jurídica. Existem muitos filósofos que merecem ser conhecidos por nós, mas por razões bem pessoais resolvi começar por esse.
O meu primeiro contato com um livro de Djacir Menezes
se deu casualmente, quando li Nordeste de Gilberto Freyre. Ali o autor fazia referência a um outro texto sobre o mesmo tema, mas com outra abordagem. Era o livro O Outro Nordeste, de Djacir Menezes. Depois de muito esforço, consegui encontrar um exemplar do referido livro e a leitura da obra despertou em mim a
curiosidade para saber mais respeito do autor e da sua bibliografia. Depois de alguns meses de pesquisa, resolvi apresentar essa breve apresentação biográfica que espero completá-la com
algumas considerações a respeito da produção filosófica de Djacir Menezes num futuro
próximo.
1. Quem foi Djacir Menezes?
Djacir de Lima Menezes nasceu na cidade de Maranguape, no estado do
Ceará, no dia 16 de novembro de 1907, filho de Paulo Elpídio de Menezes e
Olga Freire de Lima Menezes. Seu pai, nascido na Pequena cidade do
Crato, bacharelou-se em Direito e tornou-se depois jornalista, dirigindo
três jornais. É autor do livro O Crato do meu Tempo. Seu filho seguiu
caminho parecido – escrever e dirigir instituições -, mas com uma
estrada mais longa e complexa.
A formação escolar de Djacir Menezes teve início no Instituto Miguel Borges do professor Odorico Castelo Branco, onde cursou o primário, corresponde ao que chamamos hoje de Ensino Fundamental, e o Ensino Secundário (atual Ensino Médio) no Liceu do Ceará, mesmo lugar onde, anos antes havia estudado o também filósofo cearense Farias Brito.
Em 1926 iniciou a graduação em Direito na Faculdade de Direito do Ceará. Porém, três anos depois, transferiu-se para a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde se diplomou em 1930. De volta ao Ceará, na faculdade onde havia iniciado sua graduação, concluiu o curso de Doutoramento em Direito, em 1932, com a tese: “Kant e a idéia de direito”. Essa tese abriu as portas para o seu ingresso como professor nessa instituição, ministrando a cadeira de Introdução à Ciência do Direito. Em 1938 fundou a Faculdade de Ciências Econômicas do Ceará, da qual foi o primeiro diretor, posteriormente incorporada à Universidade Federal do Ceará (UFC). Dois anos mais tarde, foi aprovado em dois concursos: um para a Faculdade de Filosofia e o outro para a de Economia, ambos da Universidade do Brasil (atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro). Com a aprovação no concurso, mudou-se em definitivo para a capital da Republica, Rio de Janeiro, em 1941, onde assumiu o cargo de professor catedrático da Faculdade de Economia, ministrando a disciplina Historia e Doutrinas Econômicas. Nessa Universidade, além de professor, foi também reitor nos anos de 1969 a 1973. Após o mandato, tornou-se professor emérito dessa mesma Instituição universitária. Foi diretor do Centro de Estudos Brasileiros em Buenos Aires, entre os anos de 1953 a 1954; e do Instituto Brasil-Bolívia, em La Paz, no ano de 1958. Também ministrou a cátedra de Literatura Brasileira na Universidade Autônoma do México, em 1959. Além de membro da Academia Brasileira de Ciências Econômicas e Administrativas, era sócio efetivo do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará.
A formação escolar de Djacir Menezes teve início no Instituto Miguel Borges do professor Odorico Castelo Branco, onde cursou o primário, corresponde ao que chamamos hoje de Ensino Fundamental, e o Ensino Secundário (atual Ensino Médio) no Liceu do Ceará, mesmo lugar onde, anos antes havia estudado o também filósofo cearense Farias Brito.
Em 1926 iniciou a graduação em Direito na Faculdade de Direito do Ceará. Porém, três anos depois, transferiu-se para a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, onde se diplomou em 1930. De volta ao Ceará, na faculdade onde havia iniciado sua graduação, concluiu o curso de Doutoramento em Direito, em 1932, com a tese: “Kant e a idéia de direito”. Essa tese abriu as portas para o seu ingresso como professor nessa instituição, ministrando a cadeira de Introdução à Ciência do Direito. Em 1938 fundou a Faculdade de Ciências Econômicas do Ceará, da qual foi o primeiro diretor, posteriormente incorporada à Universidade Federal do Ceará (UFC). Dois anos mais tarde, foi aprovado em dois concursos: um para a Faculdade de Filosofia e o outro para a de Economia, ambos da Universidade do Brasil (atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro). Com a aprovação no concurso, mudou-se em definitivo para a capital da Republica, Rio de Janeiro, em 1941, onde assumiu o cargo de professor catedrático da Faculdade de Economia, ministrando a disciplina Historia e Doutrinas Econômicas. Nessa Universidade, além de professor, foi também reitor nos anos de 1969 a 1973. Após o mandato, tornou-se professor emérito dessa mesma Instituição universitária. Foi diretor do Centro de Estudos Brasileiros em Buenos Aires, entre os anos de 1953 a 1954; e do Instituto Brasil-Bolívia, em La Paz, no ano de 1958. Também ministrou a cátedra de Literatura Brasileira na Universidade Autônoma do México, em 1959. Além de membro da Academia Brasileira de Ciências Econômicas e Administrativas, era sócio efetivo do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará.
2. Vinculações e principais obras
Djacir Menezes faleceu em 1996, no Rio de Janeiro, deixando uma vasta
produção intelectual. No que se refere à produção filosófica, os
organizadores do livro As idéias filosóficas no Brasil (Crippa, 1978)
apresentam Djacir Menezes como um filósofo do direito ao lado de
Francisco Campos, Eusébio de Queirós Lima, Ponte de Miranda e Pinto
Ferreira, dentre outros (Cf. SEVERINO, 2008, p.29). Luckesi e Passos na
sua Introdução à Filosofia (Cortez, 1985), falam de uma vinculação de
Djacir Menezes com o positivismo nos seguintes termos: “Euryalo
Canabrava, em oposição a esse culturalismo em desenvolvimento, assume
uma posição neopositivista, assim como Leônidas Hegenberg e Djacir
Menezes” (2004, p. 266). Essa colocação é mais explicitamente
esclarecida por Lima Vaz, no texto O pensamento filosófico no Brasil de
hoje, escrito como apêndice acrescentado ao livro de Leonel Franca
Noções de História da Filosofia. Lima Vaz afirma que a primeira fase do
pensamento de Djacir Menezes e Euryalo Canabrava se configurou como uma
reflexão sobre a ciência, vinculada à tradição positivista (cf.SEVERINO,
2008, p. 31).
Para Severino, Djacir Menezes é um dos jusfilósofos brasileiros ligados ao culturalismo, cujas origens no país remontam ao filosofo Tobias Barreto e a Escola de Recife, só que no caso de Djacir com acento hegeliano. Comentando sobre o filósofo, afirma Severino: “A cultura é a via de acesso à realidade ontológica e, por ela, na opinião de Menezes (1977, p. 93), o homem, ser espiritualizado, está promovendo uma luta contra a própria naturalização (2008, p. 151).
Como já mencionamos acima, Djacir Menezes deixou uma vasta obra sobre Literatura, Filosofia, Sociologia, Direito e Economia, dentre as quais: O problema da Realidade objetiva (1932); Diretrizes da Educação Nacional (1932); Teoria Científica do Direito (1934), Pedagogia (1935), Dicionário Psico-Pedagógico (1935), O Outro Nordeste (1937), Psicologia (1940), Princípios de Sociologia (1944), Curso de Economia Política (1947), Crítica Social de Eça de Queirós (1950), As Elites Agressivas (1953), A.B.C. da Economia (1953), Evolução do Pensamento Literário no Brasil (1954), Raízes Pré-socráticas do Pensamento Atual (1958), A querela Anti-hegel (1960), Temas de Política e Filosofia (1962), Evolucionismo e Positivismo na Crítica de Farias Brito (1962), Mondolfo e as interrogações de nosso tempo (1963), Introdução à Ciência do Direito (1964), Proudhon, Hegel e a Dialética (1966), Textos Dialéticos de Hegel (1969), José Ingenieiros e minha formação (1970), Ideias contra ideologias (1971), Teses quase hegelianas (1972), Motivos alemães (1976), Premissas do culturalismo dialético (1979), O Brasil no Pensamento Brasileiro (livro organizado por ele para o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, subordinado ao INEP). Além de livros, Djacir deixou uma gama de artigos Publicados em revistas especializadas, como a REB e também muitos artigos publicados em jornais.
Djacir Menezes é reconhecido como um pensador ligado o culturalismo, como forte influência de Hegel, e que escreveu sobre a Filosofia, o Direito, a Sociologia e Economia. Seu pensamento, apesar de ser ainda pouco conhecido em muitos centros acadêmicos, existem trabalhos de analise e discussão de seu pensamento, dentre elas o livro de Paupério, A. M. Djacir Menezes e as perspectivas do pensamento contemporâneo.
Para Severino, Djacir Menezes é um dos jusfilósofos brasileiros ligados ao culturalismo, cujas origens no país remontam ao filosofo Tobias Barreto e a Escola de Recife, só que no caso de Djacir com acento hegeliano. Comentando sobre o filósofo, afirma Severino: “A cultura é a via de acesso à realidade ontológica e, por ela, na opinião de Menezes (1977, p. 93), o homem, ser espiritualizado, está promovendo uma luta contra a própria naturalização (2008, p. 151).
Como já mencionamos acima, Djacir Menezes deixou uma vasta obra sobre Literatura, Filosofia, Sociologia, Direito e Economia, dentre as quais: O problema da Realidade objetiva (1932); Diretrizes da Educação Nacional (1932); Teoria Científica do Direito (1934), Pedagogia (1935), Dicionário Psico-Pedagógico (1935), O Outro Nordeste (1937), Psicologia (1940), Princípios de Sociologia (1944), Curso de Economia Política (1947), Crítica Social de Eça de Queirós (1950), As Elites Agressivas (1953), A.B.C. da Economia (1953), Evolução do Pensamento Literário no Brasil (1954), Raízes Pré-socráticas do Pensamento Atual (1958), A querela Anti-hegel (1960), Temas de Política e Filosofia (1962), Evolucionismo e Positivismo na Crítica de Farias Brito (1962), Mondolfo e as interrogações de nosso tempo (1963), Introdução à Ciência do Direito (1964), Proudhon, Hegel e a Dialética (1966), Textos Dialéticos de Hegel (1969), José Ingenieiros e minha formação (1970), Ideias contra ideologias (1971), Teses quase hegelianas (1972), Motivos alemães (1976), Premissas do culturalismo dialético (1979), O Brasil no Pensamento Brasileiro (livro organizado por ele para o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, subordinado ao INEP). Além de livros, Djacir deixou uma gama de artigos Publicados em revistas especializadas, como a REB e também muitos artigos publicados em jornais.
Djacir Menezes é reconhecido como um pensador ligado o culturalismo, como forte influência de Hegel, e que escreveu sobre a Filosofia, o Direito, a Sociologia e Economia. Seu pensamento, apesar de ser ainda pouco conhecido em muitos centros acadêmicos, existem trabalhos de analise e discussão de seu pensamento, dentre elas o livro de Paupério, A. M. Djacir Menezes e as perspectivas do pensamento contemporâneo.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
MENEZES, Eduardo Diatahy Bezerra de. O Pensamento Brasileiro de
Clássicos Cearenses. Volume II. Fortaleza: Instituto Albanisa Sarasate,
2006.
LUCKESI, Cipriano Carlos & PASSOS, Elizete Silva. Introdução à
Filosofia: aprendendo a pensar. 5ª Ed. São Paulo: Cortez, 2004.
SEVERINO, Antonio Joaquim. A Filosofia contemporânea no Brasil:
conhecimento, política e educação. 5ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.
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